Celular e tablet podem aumentar o risco de miopia infantil? Entenda o que a ciência diz
- 27 de ago.
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Seu filho passa muitas horas olhando para o celular, tablet ou computador?
Essa é uma preocupação cada vez mais comum entre pais e responsáveis — e não sem motivo.
A miopia em crianças e adolescentes vem ganhando cada vez mais atenção da oftalmologia. Estudos recentes encontraram associação entre maior tempo de exposição a telas digitais e maior risco de miopia, especialmente quando esse tempo substitui atividades ao ar livre.
Mas existe uma diferença importante entre dizer que “celular causa miopia” e explicar o que a ciência realmente sabe.
A miopia é uma condição multifatorial. Genética, hábitos visuais, atividades prolongadas de perto e pouco tempo ao ar livre podem contribuir para seu desenvolvimento.
Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, é importante criar hábitos que protejam a saúde visual da criança e realizar avaliações oftalmológicas periódicas.
O que é miopia?
A miopia é um erro refrativo no qual objetos próximos são vistos com mais nitidez, enquanto objetos distantes ficam borrados.
Isso acontece porque, no olho míope, a imagem tende a se formar à frente da retina, em vez de diretamente sobre ela.
Na infância, a miopia merece atenção especial porque pode aumentar progressivamente enquanto o olho ainda está em desenvolvimento.
Uma criança míope pode, por exemplo, ter dificuldade para enxergar o que está escrito na lousa, reconhecer pessoas à distância ou acompanhar atividades esportivas.
Muitas vezes, entretanto, ela não reclama — simplesmente passa a se adaptar à visão reduzida.
Celular causa miopia?
Não é correto afirmar que o celular, sozinho, causa miopia.
A ciência atual aponta para uma relação mais complexa. Uma meta-análise publicada em 2025 no JAMA Network Open, que reuniu estudos sobre smartphones, tablets, computadores, videogames e televisão, encontrou associação entre maior exposição a telas digitais e maior risco de miopia. Os próprios pesquisadores ressaltam, porém, que ainda existem questões sobre a relação dose-resposta e que o limite exato de exposição considerado seguro não está estabelecido.
Outro estudo de revisão e meta-análise, publicado em 2024, também encontrou associação entre exposição a telas e miopia em crianças e adolescentes.
Portanto, a melhor interpretação é:
quanto mais tempo a criança permanece em atividades de perto e menos tempo passa ao ar livre, maior pode ser o risco de desenvolver miopia.
Por que ficar muito tempo no celular pode estar relacionado à miopia?
Uma das hipóteses é que o problema não esteja apenas na tela, mas no conjunto de hábitos associado ao seu uso.
Quando uma criança passa horas no celular ou tablet, geralmente está:
olhando para uma distância muito curta;
realizando uma atividade prolongada de visão de perto;
piscando menos;
fazendo poucas pausas;
passando menos tempo ao ar livre;
ficando menos exposta à luz natural durante o dia.
Esse padrão de comportamento pode favorecer condições associadas ao desenvolvimento da miopia.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças façam pausas regulares durante atividades prolongadas de perto e destaca a importância de passar tempo ao ar livre como parte das estratégias para reduzir o risco de miopia.
O tempo ao ar livre pode proteger contra a miopia?
Essa é uma das descobertas mais importantes das pesquisas recentes.
Uma meta-análise publicada em 2024, que reuniu 12.922 participantes entre 6 e 16 anos, encontrou associação entre maior tempo ao ar livre e menor risco de desenvolver miopia.
Outra revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, publicada em 2024, analisou sete estudos com 9.437 participantes e encontrou redução estatisticamente significativa na incidência de miopia nas intervenções que aumentaram o tempo ao ar livre.
Isso reforça uma mensagem simples para os pais:
não basta pensar em quanto tempo a criança fica no celular. É preciso observar quanto tempo ela passa fora de casa também.
Quanto tempo a criança deve ficar ao ar livre?
A Organização Mundial da Saúde destaca pelo menos 90 minutos de atividades ao ar livre durante o dia como uma estratégia associada à proteção contra o desenvolvimento da miopia.
Não significa que 90 minutos sejam uma “garantia” de que a criança não desenvolverá miopia.
A genética continua tendo papel importante, assim como outros fatores ambientais e comportamentais.
A ideia é criar uma rotina mais equilibrada:
menos tempo contínuo em atividades de perto + mais tempo ao ar livre + acompanhamento oftalmológico.
Como proteger os olhos das crianças durante o uso de telas?
Alguns hábitos simples podem ajudar:
1. Faça pausas durante o uso de telas
Evite longos períodos ininterruptos olhando para o celular, tablet ou computador.
Uma orientação frequentemente utilizada é a chamada regra 20-20-20: a cada 20 minutos de atividade de perto, olhar por pelo menos 20 segundos para algo distante, aproximadamente 6 metros.
A OMS também recomenda pausas regulares durante atividades de visão de perto.
2. Evite que a criança fique com a tela muito próxima dos olhos
Quanto menor a distância, maior tende a ser a exigência de acomodação.
Celular e tablet não devem ficar praticamente encostados no rosto.
3. Incentive atividades ao ar livre
Brincar, caminhar, praticar esportes e simplesmente permanecer em ambientes externos durante o dia são hábitos importantes para a saúde visual.
4. Observe os sinais de dificuldade para enxergar
Fique atento se a criança:
aproxima muito o celular ou livro do rosto;
aperta os olhos para enxergar;
senta muito perto da televisão;
tem dificuldade para enxergar a lousa;
apresenta dores de cabeça frequentes;
demonstra queda no rendimento escolar;
reclama de visão embaçada;
evita atividades que exigem enxergar à distância.
Esses sinais justificam uma avaliação oftalmológica.
Meu filho usa óculos. Ele ainda precisa consultar o oftalmologista?
Sim. Na infância, o grau pode mudar à medida que o olho se desenvolve.
Por isso, não basta comprar os óculos e esperar que a criança continue enxergando bem indefinidamente.
A avaliação periódica permite acompanhar o desenvolvimento visual, verificar se a correção óptica continua adequada e identificar precocemente alterações que necessitem de acompanhamento ou tratamento.
A própria OMS recomenda exames oftalmológicos regulares para crianças e ressalta que a prescrição pode precisar ser atualizada conforme a evolução da visão.
Existe tratamento para controlar a progressão da miopia?
Sim.
Quando uma criança já apresenta miopia, o oftalmologista pode avaliar estratégias de controle da progressão da miopia, de acordo com idade, grau, evolução e características individuais.
Dependendo do caso, podem ser consideradas diferentes abordagens, incluindo determinados tipos de lentes, lentes de contato e tratamentos farmacológicos específicos.
A escolha não deve ser feita pelos pais ou apenas com base em informações encontradas na internet.
O tratamento da miopia deve ser individualizado e acompanhado por um oftalmologista.
Quando levar meu filho ao oftalmologista?
Não é necessário esperar a criança reclamar que não está enxergando.
Algumas alterações visuais podem passar despercebidas justamente porque a criança acredita que a maneira como enxerga é normal.
Além disso, crianças pequenas nem sempre conseguem explicar que estão enxergando mal.
Por isso, avaliações oftalmológicas na infância são importantes mesmo quando aparentemente está tudo bem.
A necessidade e a periodicidade dos exames dependem da idade, histórico familiar, fatores de risco e avaliação médica.
Oftalmologista infantil em Taubaté
Se você percebe que seu filho passa muitas horas no celular, tablet ou computador, apresenta dificuldade para enxergar à distância ou simplesmente está há muito tempo sem realizar uma avaliação oftalmológica, vale conversar com um especialista.
A Clinica de Olhos Cursino | Dra. Sylvia Cursino - Oftalmologista em Taubaté oferece avaliação oftalmológica em Taubaté, incluindo o acompanhamento da saúde visual de crianças e adolescentes.
A Dra. Sylvia Cursino possui ampla experiência em oftalmologia e realiza uma avaliação individualizada para acompanhar o desenvolvimento visual e identificar alterações que possam comprometer a visão.
A visão do seu filho merece acompanhamento desde cedo
Celular e tablet fazem parte da vida das crianças e adolescentes. O objetivo não precisa ser eliminar completamente a tecnologia, mas encontrar um equilíbrio saudável entre tempo de tela, atividades de perto, sono, atividades físicas e tempo ao ar livre.
E, principalmente, não espere seu filho reclamar para cuidar da visão.
Uma alteração visual identificada precocemente pode fazer toda a diferença no acompanhamento da saúde ocular durante a infância.
Cuide hoje da visão que ele levará para a vida toda.
Perguntas frequentes
Celular pode causar miopia em crianças?
O celular, isoladamente, não pode ser considerado a única causa da miopia. Estudos recentes encontraram associação entre maior exposição a telas digitais e maior risco de miopia, em um contexto que também envolve genética, atividades de perto e menor tempo ao ar livre.
Tablet aumenta o risco de miopia?
Pesquisas associam maior exposição a dispositivos digitais, incluindo tablets, smartphones e computadores, a maior risco de miopia. Entretanto, a miopia é multifatorial e não pode ser atribuída exclusivamente ao uso do tablet.
Quanto tempo uma criança deve ficar ao ar livre para prevenir a miopia?
A OMS destaca pelo menos 90 minutos de atividades ao ar livre durante o dia como uma estratégia associada à proteção contra o desenvolvimento da miopia.
Como saber se meu filho está com miopia?
Dificuldade para enxergar de longe, apertar os olhos, aproximar objetos do rosto, sentar muito perto da televisão ou da lousa e queixas de visão embaçada podem ser sinais. A confirmação, porém, depende de uma avaliação oftalmológica.
Criança precisa fazer exame oftalmológico mesmo sem sintomas?
Sim. Algumas alterações visuais podem não ser percebidas pela própria criança. O acompanhamento periódico permite identificar problemas precocemente e acompanhar mudanças na visão durante o desenvolvimento.




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